Já nasceu. São e escorreito. Bem hajam todos quantos me incitaram a escrevê-lo e todos quantos criaram condições para que fosse editado. 
O lançamento será no próximo dia 26 de Maio, pelas 21 horas, em Vila Nogueira de Azeitão (Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense). Conto consigo!



20 ANOS DEPOIS, É TEMPO DE PERGUNTAR

Iniciei a minha actividade como poeta e como investigador na primeira metade dos anos 90 do século passado. Em 1997, um júri da Associação Portuguesa de Escritores – constituído por Fiama Hasse Pais Brandão, Fernando Pinto do Amaral e Urbano Tavares Rodrigues – atribuiu ao meu primeiro livro, "Arquitectura do Silêncio", o Prémio Revelação de Poesia. Por esta altura, há precisamente 20 anos...
Passado este tempo, é uma boa altura para deitar contas à vida. Desde a edição dessa primeira obra, no ano 2000, publiquei bem mais de uma dezena de livros e antologias, não contando com as obras de investigação histórica, literária ou etnográfica, ou com a revista "Devir" - e esquecendo os estudos, ensaios, crónicas e poemas que estão por aí espalhados, em colectâneas, revistas e jornais, bem como as palestras, comunicações e conferências que tenho feito. Tenho traduzido vários autores para a nossa língua e tido a satisfação de ver textos meus em espanhol, francês, inglês, alemão, catalão e italiano. (Só Deus sabe as alegrias, as chatices e os sofrimentos que todo este trabalho me tem trazido...)
Passadas duas décadas, impõem-se com mais força as perguntas necessárias e de sempre, ainda que conduzam a um processo de revisão pessoal, nem sempre fácil:
- Porquê?
- Para quê?
- Para quem?
- Vale a pena?
Das respostas que eu venha a dar, tirarei as devidas consequências.


A CHAVE DE SEBASTIÃO DA GAMA
será lançado na noite do dia 26/5/2017,
encerrando a Jornada sobre Sebastião da Gama.
Local: Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense 
(Vila Nogueira de Azeitão)

Edição da Licorne.
Capa a partir de fotografia de Nuno Matos Duarte.

QUE RESTARÁ DA FÉ?

As intervenções públicas dalguns teólogos (cuja eminência cultural e exegética não discuto e admiro) têm-me levado a remoer aquela pergunta assustadora de Jesus de Nazaré, registada por São Lucas: "[...] quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?" (Lc 18, 8). Ultimamente têm falado sobre o acontecimento-Fátima, mas as suas reflexões multiplicam-se e espraiam-se pelos mais variados assuntos. Nesses artigos, livros e entrevistas, parecem ser avessos ao "meta-realismo" essencial na experiência religiosa, recusando a distância que existirá sempre "entre nós e a verdade", "entre nós e o infinito", pois, como confirma Jean Guitton, a crença "não é saber, acreditar não é compreender, acreditar é aderir na noite".
Bem sei que o Salvador tinha consciência desta postura, existente já no seu tempo e multiplicada até à nossa contemporaneidade. Por isso mesmo nos assegurou de que a entrada no Paraíso só ocorrerá se voltarmos a ter a humildade das crianças de tenra idade (Mt 18, 3 - 5). Com grande alegria, Ele mesmo agradeceu ao Pai ter escondido "estas coisas aos sábios e inteligentes", guardando a revelação para os "pequeninos" (Lc 10, 21)... Estas e outras palavras de Jesus comprovam quão grande era a distância entre a Sua doutrina e uma postura gnóstica e cátara da aproximação a Deus, propagada logo nos primeiros séculos do cristianismo e transformada, no nosso tempo, em várias formas de sobranceria intelectual.
Bem sei, ainda e de antemão, que chegará um tempo em que dominará o chamado "mistério da iniquidade", "com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2, 3 - 12). Mas mesmo assim me deixo inquietar pelo discurso dalguns teólogos com visibilidade pública. Desconfio que esse tempo iníquo já chegou e que os "milagres, sinais e prodígios enganadores" se vão operando por aí, pela mão de uma humanidade seduzida pelo canto das sereias que, mais tarde ou mais cedo, levará ao seu afogamento.
Talvez me engane, todavia... Afinal, não deixo de recordar que atribuir ao Demo a acção divina é, sem dúvida, o maior pecado que se pode cometer, pois se atenta contra o Espírito Santo: se alguém disser algo contra Cristo, "há-de ser-lhe perdoado; mas, se falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro" (Mt 12, 31 - 32). Afinal, nesse tempo iníquo, Deus enviará "uma força que leva ao erro", de modo a conduzir os que recusaram o "amor da verdade" a acreditarem "na mentira", levando assim à condenação de todos quantos "sentiram prazer na injustiça" (2 Ts 2, 11 - 12).
O que escrevo só o registo porque tenho as costas quentes... Rodeado pela memória e pelos livros de Charles Péguy, Marie Noël, Cristina Campo, Jean Guitton, Agostinho da Silva, Teilhard de Chardin, Dalila Pereira da Costa, Sebastião da Gama, Frei Agostinho da Cruz, Santa Edith Stein, São Karol Wojtila, etc. a minha coragem é outra.

RUY VENTURA


(Gravura: "Fé, Esperança e Caridade", de Johan Wierix.)


SALVAÇÃO PELA LEITURA
(do livro ao Livro do Mundo, 
passando pela Ilha dos Amores 
e pela esfera armilar)

Domingos Fernandes, poeta alentejano falecido em 1972, tinha versos surpreendentes. Vendedor de pratos antigos a José Régio, sem nunca lhe dizer que também escrevia poemas, era capaz de palavras certeiras como estas: "Há muito livro bonito, / Muito bem encadernado; / Mas tudo quanto tem escrito / É reclame de mercado. // Há livros mal capeados, / Não prestam para vender; / Mas são uns livros sagrados / Que todos deviam ler. // Com tais livros apontados / Há homens muito parecidos; / Há talentos mal roupados, / Há imbecis bem vestidos. // Há muito sábio perdido, / É pena não ser achado, / Há muito burro mantido / À manjedoura do Estado". A preservação deste texto deve-se a José Correia Tavares, seu sobrinho por afinidade, que em 1967 os publicou numa revista editada em Angola, sem conseguir todavia impedir o corte da última estrofe pela censura.
Já em 1999, a sua discípula Maria Tavares Transmontano divulgou uma quadra de sua autoria que nos obriga a pensar: "Mais ainda que os outros livros, / Lê bem o livro do mundo, / Que hás-de achar onde te salves / De algum pélago profundo!"
Se o primeiro poema me agrada pela comparação sarcástica e certeira, o segundo traz-me ressonâncias longínquas com que o autor, homem culto mas simples das serranias do Alto Alentejo, nem sequer terá sonhado. O "livro do mundo" faz-me sempre recordar o emblema adoptado por el-rei Dom Manuel: uma esfera, tendo à volta ou na base a legenda spera mundi
Sempre me intrigou este letreiro usado pelo herdeiro de D. João II. A leitura literal da esfera armilar deveria obrigar à indicação de uma sphera mundi. Todavia, tal não aconteceu. Entre uma e outra palavra alguém resolveu estabelecer a polissemia, uma leitura dupla ou infinita promovida pelo equívoco significativo. Suprimiu-se a H - e a esfera viu-se transformada em esperança, a que chegamos pela espera, pois só a paciência nos pode levar a alcançá-la. E a paciência liga-se à alegria que, nas palavras inspiradas de São Francisco de Assis, consiste na calma perante as maiores adversidades.

Não creio que essa espécie de divisa manuelina se tratasse apenas de um jogo. N' Os Lusíadas, por exemplo, Camões fala da contemplação da esfera ofuscante como cume da experiência mística (o que deita por terra todas as leitura chãs do episódio da Ilha dos Amores, como bem sabiam Fiama Hasse Pais Brandão e António Telmo). Dalila Pereira da Costa, por seu turno, explicou que a contemplação do mistério de Deus pode consistir na contemplação de um globo luminoso, visto no mais alto instante da vivência inefável. Dá-se a coincidência de a raiz semita SPR significar escriba, mas também livro, escrita, número, arquivo ou registo de memórias. Tal radical pode ter originado a nossa esfera especiosa, misteriosa. Assim se indica que o globo é, sobretudo, um livro; que a sua contemplação corresponde à sua leitura; e que nesse livro (sepher) está a esperança (spera ou spes), porque contém o mundo (sphera), ou seja, a memória de todos nós (spr).
Se seguirmos por aqui, concluiremos que na leitura está uma via de salvação. Não numa leitura qualquer, mas na contemplação consequente das Escrituras que revelam o mistério divino. Não concebiam os mestres talmúdicos o Paraíso (Pardèsh) como "lugar da leitura"? Tenhamos pois Esperança, que é a ponte entre a Fé e o Amor. E meditemos nas palavras avisadas de Domingos Fernandes: a leitura do "livro do mundo" pode salvar-nos do abismo.



Ruy Ventura


POESIA PORTUGUESA EM MADRID

No próximo dia 15 (quarta-feira), pelas 19h30, na prestigiada sala "Corral de Comedias", em Alcalá de Henares (Madrid), vai decorrer a sessão LA VOZ MÁS CERCANA: PORTUGAL, dedicada integralmente à poesia portuguesa contemporânea. A dramaturgia será de Aitana Sar, Clara Santafé e Ines Sánchez, acompanhada ao piano por Francisco Recuero e com voz de Verónica Aranda. Serão lidos poemas de Albano Martins, Catarina Nunes de Almeida, Daniel Faria, Graça Pires, José Luís Peixoto, Maria Teresa Horta, Sophia de Mello Breyner Andersen, Victor Oliveira Mateus e Ruy Ventura.






DETERGENTE, de Ruy Ventura
(excertos traduzidos para catalão por Joan Navarro)



E, no entanto, há luz no meio do entulho: livros, colocados numa mão incerta cuja humidade permite o nascimento de fungos e, mais tarde, de pequenas plantas. (Haverá por ali um grão de mostarda ou outra semente cuja árvore um dia reconheceremos?) Livros e tecidos impuros, com húmus e estrume no meio da batalha.

I, malgrat tot, hi ha llum enmig dels enderrocs: llibres col·locats en una mà vacil·lant la humitat de la qual permet el naixement de fongs i, més tard, de petites plantes. (¿Hi haurà per allà un gra de mostassa o una altra llavor l’arbre de la qual un dia reconeixerem?) Llibres i teixits impurs, amb humus i fems enmig de la batalla.



Não há paisagem além do quadro ou da fotografia, escrevi como se estivesse na caverna. No meio do lixo, talvez recolha imagens sem movimento. Terei assim alguma consolação, pois nada mais serei do que um silo abandonado, onde se lançam cacos e restos de comida.

No hi ha paisatge enllà del quadre o de la fotografia, vaig escriure com si fos a la caverna. Enmig de les escombraries, tal vegada recolliré imatges sense moviment. Tindré així alguna consolació, ja que no seré res més que una sitja abandonada, on s’hi llencen testos i restes de menjar.



E se as palavras, reduzidas a pele e osso, fizerem parte do entulho que nos sufoca no fundo da vala?
I si les paraules, reduïdes a pell i os, fan part de la runa que ens sufoca al fons de la fossa?




Quem abandonou esta casa? Quem habita hoje nesta casa? A foz não existe sem presença. Deixa na pedra uma inscrição de luto, que a boca não poderá beber.
¿Qui abandonà aquesta casa? ¿Qui viu avui en aquesta casa? L’embocadura no existeix sense presència. Deixa en la pedra una inscripció de dol, que la boca no podrà beure.


Falta-lhe a nascente. As letras sobrepõem-se na fachada. Há luz derramada pela nave, sem que as palavras sejam capazes de recuperar a penumbra. (Ninguém pode viajar quando o ruído impede a veneração e o dinheiro tilinta nas mãos, com vaidade.)
Li falta la deu. Les lletres se sobreposen en la façana. Hi ha llum vessada per la nau, sense que les paraules siguin capaces de recuperar la penombra. (Ningú no pot viatjar quan el soroll impedeix la veneració i el diner dringa en les mans, amb vanitat.)

MARIA GUARDAVA TUDO NO SEU CORAÇÃO
Dos Evangelhos a uma Espiritualidade Cordial

conferência 
na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
na Cova da Iria

11/12/2016


DETERGENTE

por José do Carmo Francisco
http://transportesentimental.blogs.sapo.pt/detergente-de-ruy-ventura-342101 (29/1/2017)


Este é um livro especial, insólito e diferente na bibliografia de Ruy Ventura (n.1973) cujo primeiro livro («Arquitectura do Silêncio») recebeu em 1999 o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. A Poesia é (todos o sabemos) uma arte de fundo pessoal. O poema escreve o poeta; o poeta escreve-se no poema. Mas o poeta não é um organismo sentimental sem raízes, sem passado, sem biografia. Tal como neste livro, no qual surge um diálogo entre dois homens (João e Raul) sob um fundo musical de Olivier Messiaen. Trata-se de um tempo que chega ao fim, um mundo desolado, uma cidade deserta. Raul começa o diálogo na página 7: «Nascem no mesmo dia a força e a pobreza. A casa está cheia de entulho e as ruas não permitem a circulação. Vivemos entre escombros, já muitos o disseram. Por isso páro. Vivo? Sobrevivo? Existimos.» João, por sua vez, faz um inventário pessimista: «Há quem escreva versos mas dispense a escassez, o trabalho, a descoberta. Há quem vá filosofando mas rejeite o amor e a sabedoria. Há quem pinte, molde, filme, dance e represente mas feche os olhos às imagens que nos desafiam, como lava no dia de juízo.» É neste «caldo cultural» que Raul procura um futuro: «Temos de sorrir (dizem). Temos de suportar, ainda que a dissolução nos transforme em vermes, em roedores que voam ou rastejam.» João, por sua vez, proclama a força da escrita: Primeiro na página 9: «Entre a superfície da escrita e a ocultação da morte – não há negrume que nos apague.» Depois na página 10: «Quem escreve encontra o organismo: a instabilidade da matéria – cor e pó, memória e gangrena – um grupo de células que o fogo não destrói, que a terra não apodrece» Por fim na página 23: «Esquecendo, talvez consiga escrever. Excesso ou amnésia, o texto retrocede.» É nesta oscilação entre sangue pisado e estilo que surge o detergente que dá o título ao livro: «A memória descritiva assegura-nos de que a estátua (ou medalhão) é de bronze, de pedra ou cera d´abelhas. Mas no fundo temos a certeza de que o miolo da efígie não passa de sabão ou detergente.»

Sob a forma de peça de teatro, no fundo é de poesia e sua temperatura que trata este livro, Vejam-se as citações: «Odeio este tempo detergente» (Ruy Belo), «O obstáculo ou depura ou torna-nos perversos» (Cesário Verde) E a dedicatória: Para Levi Condinho, Nuno Matos Duarte e Rui Almeida. Em memória de Filipa Barata e Carlos Garcia de Castro. 

(Editora: Licorne, Capa e Foto no interior: Nuno Matos Duarte)-


Um novo livro:

DETERGENTE


Este novo livro de Ruy Ventura - poema ou diálogo entre duas figuras (João, que transita do "Contramina", e Raul, que poderia ser Brandão) - parte de duas frases. Uma é de Ruy Belo - "Odeio este meu tempo detergente" - e a outra é de Cesário Verde - "O obstáculo ou depura ou torna-nos perversos". É dedicado a Nuno Matos Duarte, Rui Almeida e Levi Condinho - e presta homenagem a Carlos Garcia de Castro e Filipa Barata.
O texto lê-se ou ouve-se ao som de Messiaen - "Quatuor pour la Fin du Temps" - num edifício em meia construção, mas já abandonado. Entre Raul, que afirma: "Nascem no mesmo dia a força e a pobreza. [...] Perco-me e assim quebro, parto, a madeira da vivenda que deixou de ser habitação." E João, que responde: "Meu peso não deixará vestígios. Peregrino, suspendo os passos. Deixo aberto a mina de água, sabendo de antemão que a fonte secou ou escolheu outra nascente."
Como os poemas e os livros só valem a pena se forem lidos - e dado que só daqui por algum tempo a publicação estará disponível nalgum circuito livreiro - sugere-se a encomenda de um dos 50 exemplares que, na mão do autor, estão disponíveis. Basta o envio de um mail para ventura.1973@gmail.com e o assunto será tratado. 
Este poema, agora editado pela Licorne, de Évora, e valorizado com duas fotos inéditas de Nuno Matos Duarte, será lançado em data e circunstâncias ainda a definir e anunciar. 



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«A Igreja santifica-se imitando Maria», lembra o poeta Ruy Ventura

A primeira conferência do sétimo ciclo de conferências do Centenário teve lugar esta tarde na Basílica de Nossa do Rosário de Fátima


A Basílica de Nossa do Rosário de Fátima acolheu esta tarde a primeira conferência do sétimo ciclo de conferências do Centenário centrado no tema do ano pastoral "O meu imaculado coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus". O poeta Ruy Ventura foi o orador de uma comunicação intitulada “«Maria guardava tudo no seu coração» - Da devoção a Maria a uma espiritualidade cordial”.
O poeta apresentou-se como peregrino, «num caminho que se transforma em encontro» enquanto «aprendiz nesta escola de fé».
«Maria é uma mulher que se perturba e interroga», e é caracterizada por três ações: «atenção, salvaguarda, e discernimento».
Ruy Ventura referiu-se a Maria como a «mais digna representante da humanidade, pelo seu coração puro, que além de ver Deus acima de todas as coisas sabe ouvi-lo e difundi-lo». Também os pastorinhos de Fátima, em 1916, tinham os seus corações «atentos» à mensagem que chegou do «altíssimo».
«A Igreja santifica-se imitando Maria», reiterou o poeta, que cita a Irmã Lúcia para dizer que «Todos somos peregrinos, quer queiramos quer não».
«O coração de Maria será o nosso refúgio», concluiu Ruy Ventura na primeira conferência do sétimo ciclo de conferências.
Ruy Ventura é oriundo da região da Serra de São Mamede no Alentejo. Licenciado em Línguas e mestre em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e desde 1995 docente, dividindo a sua atividade entre o 2º ciclo do ensino básico e o ensino superior. Iniciou a sua atividade literária na primeira metade dos anos 90. Escritor premiado, editou poemas e ensaios em variadíssimas publicações periódicas portuguesas, brasileiras, espanholas e norte-americanas, tendo assinado prefácios ou posfácios de algumas obras literárias editadas em Portugal e no Brasil. Presentemente, dirige com Nuno Matos Duarte a revista ibero-americana de cultura Devir.
A Basílica de Nossa Senhora do Rosário vai acolher no próximo domingo cinco conferências agendadas até abril de 2017, completando desta forma o ciclo de conferências que marcou o septenário de celebração do Centenário das Aparições na Cova da Iria.
A II Conferência vai ter lugar na Basílica de Nossa Senhora do rosário a 8 de janeiro de 2017 com o título «Mãe da Igreja, rogai por nós». A intercessão maternal da Virgem Maria, por Maria do Céu Patrão Neves. O segundo concerto dos Fragmentos Musicais, com o título «Recolhimento e Reflexão», pelo Coro da Academia de Música de Viana do Castelo. Estas iniciativas tem entrada livre.

(Notícia redigida pelos serviços do Santuário de Fátima, disponível aqui.)


Um excerto da conferência que, em 2017, será publicada pelo Santuário de Fátima:

"É certo que, em 2016, se escolheu como palavra do ano a pós-verdade – que se afigura como sinónimo da mentira (de que é pai, como sabemos, o Diabo (Jo 8, 44)). Perante esse inquietante sinal do nosso tempo, somado a tantos outros que vão surgindo um pouco por todo o lado, decisivo se torna afirmarmos a Fé e a Esperança que nos vão conduzindo ao Amor. Parece-me que o Coração Imaculado – devolvido à “língua comum”, como propôs o padre Tolentino Mendonça – é uma boa metonímia do motor que nos purifica, nos move e nos leva ao cume aonde queremos e devemos chegar. Esse coração está presente em tudo quanto é mais importante: na memória que é recordação (ou saber de cor, pelo coração); na concórdia (que é paz sincera e interior); e, sobretudo, na Misericórdia, um dos mais eloquentes nomes de Deus, como lembrou o Papa Francisco ao longo do Jubileu Extraordinário recentemente concluído."


CONFERÊNCIA EM FÁTIMA, NO PRÓXIMO DOMINGO


Não sei se este eterno aprendiz será a melhor chave para abrir o VII Ciclo de Conferências comemorativo do Centenário das Aparições de Fátima, mas conto com os ouvintes de boa-vontade que, no próximo domingo, dia 11 de Dezembro, pelas 16 horas, quiserem escutar as minhas palavras. Será na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Cova da Iria - e tentarei desvendar (a partir dos primeiros capítulos do Evangelho segundo São Lucas) um caminho espiritual que passa pela atenção, pela salvaguarda e pelo discernimento, contra a amnésia, a auto-suficiência, a indiferença, o medo e a morte, lembrando que o coração, a recordação, a concórdia e a misericórdia são palavras nascidas da mesma raiz.
Mais informações aqui.



Capa e contracapa 
de DETERGENTE
o próximo livro de Ruy Ventura,
a sair brevemente na Licorne, de Évora.
SOBRE CONTRAMINA

Filipa Barata

No panorama de certa poesia portuguesa mais actual, e em especial no da sua geração, a voz de Ruy Ventura quase se assemelha a um oásis no meio do deserto poético de composições sobrecarregadas de imagens urbanas vazias, onde, em muitos casos, as referências culturais ou mesmo literárias são vagas.
Não será esta uma tendência exclusiva da poesia portuguesa, mas a crescente vulgarização da linguagem, onde o banal e o rotineiro tomam ares poéticos, apontando para um vazio pontuado por sensações imprecisas, onde se sente a ausência de um pensamento consentâneo que, porventura, não deve estar ausente desta ou de outras formas de escrita.
É neste contexto que Ruy Ventura nos dá a conhecer o seu último título, Contramina, depois de Arquitectura do Silêncio (2000), Chave de Ignição (2009) e Instrumentos de Sopro (2010), entre outros.



Um livro algo original este Contramina, que se não encontra essa originalidade em cada um dos elementos de per si, que o compõem, encontra-a certamente no modo como combina aquilo que parece ser a sua principal substância (metafísica, espiritual) com a estrutura que o enforma. Trata-se de um texto cuja filiação a um determinado género é difícil, porque, se o teor da sua mensagem é aparentemente poético, a verdade é que a sua forma o aproxima muito mais do género dramático – ou, pelo menos, do que convencionalmente se entende por cada um desses géneros.
Talvez não seja despiciendo que nos demoremos sobre a questão do género textual, em Contramina, já que isto levanta problemas teóricos, que apesar de não serem absolutamente novos, suscitam perguntas que nos permitem reflectir sobre o modo como lemos e classificamos certos textos. Assim, comecemos por colocar algumas perguntas: porque é que podemos considerar Contramina um livro de poesia? O que existe aí de poético? Será que se trata efectivamente de um texto poético ou é o modo como o lemos que é poético? Haverá um modo poético de ler certos textos que os pode transfigurar em poéticos mesmo que a sua mensagem não pretenda, porventura, ser poética?
Esperando poder responder a estas e outras questões em espaço mais oportuno, importa, no entanto, referir que apesar de Contramina aparecer classificado como um livro de poesia, esse é talvez apenas um modo de tornar a sua classificação mais fácil, uma vez que a sua mensagem parece aproximar-se mais do campo da filosofia mística ou de algumas das principais questões que rodeiam o pensamento cristão. Convém notar, aliás, que é talvez na reflexão sobre a palavra, e por extensão a divina, que encontramos um dos núcleos mais profícuos desta escrita. Na interrogação sobre a palavra de Deus e de como ela devém fogo ora purificador, ora transformador alicerça-se a força da linguagem, na qual inevitavelmente entroncam os mistérios sobre a existência humana e, por acréscimo, as questões de índole metafísica e espiritual que Contramina põe em cena. Atentemos, assim, para uma das falas que pertence ao nome de João:

sabemos distinguir a matéria do lugar? que voz se ouve? o pacto ecoa na palavra – e num brilho que a existência resguarda no fogo ou no fingimento. ter colhões, olhar olímpico – dizem – para descobrir (entre a execução e o roubo, entre excrementos e ruídos), sem nome, a gruta, a praia, a serra, o bosque, o prado, a rua, a casa, o largo – e, neles, o reino de Deus. (p. 12)

Cumpre dizer, ainda, que certas marcas do Antigo Testamento, mas também do Novo, estão patentes nesta obra sobretudo ao nível de uma linguagem que procura ser simbólica e, nesse sentido, desfazer-se um pouco de alguns elementos estilísticos. Vejamos, por isso, uma das falas que compete ao nome de Agostinho:

a voz conta o temor da passagem, a audição de um segredo que o confronto regista e multiplica. há pontes e açudes, mas ninguém conhece a largura das águas, a extensão das margens e a humidade da terra que o lodo acolhe e estrutura. verbo ecoando pelo mapa, este grito no parto. pomba voando da mão ao encontro do tiro ou da serpente. (p. 11)

Não estamos, portanto, no campo da literatura e sua retórica, no sentido mais ortodoxo do termo, porque Contramina nos atrai para essa linguagem depurada, que busca libertar-se de conotações demarcadas para ganhar uma natureza de símbolo, na qual a palavra transponha os limites do humano. Daí que uma análise puramente literária do seu conteúdo se torne difícil. Neste sentido, não devemos estranhar que, enquanto objecto literário, o texto de Contramina possa ser menos interessante, pese embora o facto de aparecer classificado, pelo próprio autor, no seu blogue pessoal, como um livro de poesia. No fundo, como vimos anteriormente, estamos perante um texto arredio a categorizações, mas é, provavelmente, nessa pertença a um género que temos de questioná-lo e interpretá-lo e, sobretudo, tentar perceber porque joga tão habilmente com as formas literárias que usa.
Se tivermos em conta o diálogo que se trava entre as várias vozes que, através do índice de figuras, atribuímos a referentes concretos – uma vez que muitos deles dizem respeito a nomes de personagens de ficção, poetas, pintores, filósofos, santos, etc. –, facilmente nos recordamos daquele outro diálogo que mantêm entre si as veladoras n’ O Marinheiro, de Fernando Pessoa. Estamos assim dentro da Contramina como num drama extático, sem movimento, onde a única coisa que pode ser digna dessa designação é a própria voz ou, no caso da obra em apreço, as vozes que se cruzam e que todas juntas procuram, quem sabe, as razões metafísicas e espirituais da sua própria existência. Cada uma dessas vozes, provenientes de áreas de conhecimento diversas, tende a usar um conjunto de vocábulos comuns como se se tratasse de um idioma que se modifica com a intervenção de cada uma dessas vozes. Posto isto, talvez não seja descabido referir que, em Contramina – termo equivalente a mina usado por empréstimo do castelhano na raia alentejana de Portalegre, concelho natal de Ruy Ventura – assistimos à invenção de um idioma, do espírito, das coisas naturais, se quisermos, de onde, porém, não se ausenta o grande espírito criador que modula ao mesmo tempo cada um desses elementos, e dessas palavras, fazendo-as nascer da junção dos sons tal como os minérios que se extraem da mina são resultado químico de vários fenómenos:

sangra-se o poema. não sobrevive se a água não circula pelas veias. setenta por cento do poema é apenas água (salgada), sal da terra. a mina sustenta todas as formas de vida que povoam e elevam a existência. haverá células mortas (o ferro evita a anemia, mas não impede a secura e o apodrecimento das palavras). o corpo permanece. com sangue, sem água, não passará no entanto de um cadáver – múmia conservada como pedra numa redoma de vidro. (p. 55-56).

Vale a pena destacar, ainda, que se Contramina é sinónimo de idioma tem a ligá-lo à imagem de onde provém uma espécie de silêncio inicial no qual tudo o que é visível e invisível conhece a sua origem e o seu fim, fazendo lembrar nisto muito da filosofia trágica patente na obra de Raul Brandão, sobretudo em títulos como Húmus ou El-Rei Junot.

(in Navegações, Porto Alegre, v. 7, n. 1, p. 105-106, jan.-jun. 2014: 105 - 106).


Disponível aqui.
A CONVERSÃO DE BOCAGE

Ruy Ventura


                Manuel Maria Barbosa du Bocage faz parte do grupo desditoso de poetas cuja biografia vem secundarizando a sua produção poética. Por bons e maus motivos, a sua vida tormentosa e picaresca instituiu-se como eixo do interesse público, menorizando as razões mais altas da sua grandeza, que residem em quanto escreveu. É certo que a sua obra nunca teria crescido nos moldes conhecidos se não houvesse nela uma constante projecção do eu. Por isso mesmo, há que ter em conta o quanto existe de contaminação subjectiva nos seus poemas, invalidando, por si só, quaisquer estudos que pretendam catar entre os versos apenas uma representação histórica de um percurso atribulado. Por mais que usemos uma joeira, nunca saberemos porém até que ponto fingiu ou foi sincero na sua poesia. Nem isso interessa muito, se a aquilatarmos enquanto obra de arte e não como mero documento histórico de uma época. Só enquanto objecto artístico, devidamente salvaguardado (como diria Heidegger) nas múltiplas leituras oferecidas pela sua abertura irradiante, a sua produção vale a pena – porque só desse modo é nossa contemporânea. Ainda assim, não poderemos aplicar ao poeta setubalense os princípios hermenêuticos, hoje em parte ultrapassados, decorrentes da “morte do autor”. Se a biografia não explica nem deve explicar o que deve ser visto apenas como arte, não deixa de se instituir como auxiliar no percurso legente. Deve existir, contudo, uma grande cautela, para que seja vencida a tentação que nos leva, com frequência, a uma cómoda fixação no sentido literal dos poemas, esquecendo que além dele há muita alegoria, moralidade e anagogia.
                Ao lermos, por exemplo, aquele que é talvez o seu soneto mais conhecido (“Já Bocage não sou!...”[1]), é difícil não nos lembrarmos dos paralelos que poderemos estabelecer entre a metanóia aí apresentada e aquela que modificou a vida de nomes tão importantes como Guerra Junqueiro ou Gomes Leal (para não sairmos do território nacional). São percursos incómodos aqueles que emergem. O mesmo Junqueiro que, na nota posfacial d’ Os Simples (1892)[2], declara que “redobra em mim […] a aversão e a hostilidade à igreja católica, grosseira fórmula materialista do transcendente e divino espírito de Jesus”, assevera em data próxima de 1918 que tinha sido “muito injusto com a Igreja”, sublinhando que uma grande parte do que escrevera tinha nascido “d’ um racionalismo desvairador, um racionalismo de ignorancia, estreito e superficial”. Por isso afirma: “Ha na grandiosa historia do catolicismo paginas de horror, mas a Igreja com os Evangelhos cristianizou e salvou o mundo. No catolicismo existem absurdos, mas no amago da sua doutrina resplandecem verdades fundamentaes, verdades eternas, as verdades de Deus […]”[3].
                Percebe-se, nas palavras do autor d’ A Velhice do Padre Eterno, que a sua hostilidade nada tinha que ver com qualquer espécie de anti-teísmo, ateísmo ou sequer agnosticismo. Também não se tratava de um anti-catolicismo irracional, mas tão só de um exaltado repúdio de formas religiosas pouco evangélicas, praticadas por ministros tornados funcionários públicos. Auxiliar de um Estado despótico, tomada de assalto por um fanatismo que se entrançara com os interesses argentários e fundiários da nobreza e com a cegueira dos ignorantes, essa Igreja chegara ao século XVIII em formas mortas e vazias que um Santo António de Lisboa não se importaria de atacar com o seu martelo[4]. Bocage e Junqueiro, tal como Gomes Leal, usaram os seus instrumentos verbais e artísticos no mesmo sentido, fustigando a hipocrisia, a simonia e também a apostasia. Chamar-lhes “anti-clericais” parece assim exagerado e injusto, pois o que estava em causa era a necessidade de ver as “verdades eternas” livres da submissão a ditames e práticas que nada tinham de cristãos, não a rejeição primária do segundo estado[5].
                Chegados a uma idade madura, Bocage e Junqueiro terão no entanto percebido o quão longe tinham ido os meios por si usados na sua (legítima) exaltação reformista e, sobretudo, as consequências que tal gerara em sujeitos em crise. “Incapaz de assistir num só terreno, / Mais propenso ao furor do que à ternura”, o sujeito poético de Manuel Maria entende que a imitação da sátira e da licença dos seus predecessores (“Outro Aretino fui”) contribuíra não para o restauro, mas para a ruína e demolição, confundindo o usufruto da liberdade com as suas formas degradadas. Reconhece a “vã figura” representada por seu “louco intento”, loucura que residiu, sobretudo, num afastamento da luz da Razão, movido pelo “tropel das paixões”, pela cegueira dos “Prazeres, sócios [s]eus e [s]eus tiranos”. Não se trata, todavia, apenas de um confronto com a ignomínia patética do passado de uma “alma, que sedenta em si não coube”, mergulhada no “abismo […] dos desenganos”. Além dos veios biográficos que, de facto, contêm, os poemas de Bocage oferecem sobre esta matéria algo que transcende o eu espelhado nos versos, propondo uma via purgativa, que conduzirá à justa medida no pensamento e na acção.
                Desejando pôr em prática uma ars moriendi, Bocage inicia a sua metanóia pela confissão (“Eu aos céus ultrajei” – “A santidade / Manchei!”) e pelo arrependimento (“Eu me arrependo”). A conversão passa por uma revisão estética, que assume a crítica do deleite que se fica apenas pela forma do poema, pela sua composição agradável aos sentidos e ao gosto. Esse “som fantástico” é agora para o sujeito apenas sonoridade vazia, diletante, mergulhada numa fantasia que não chegou ainda à imaginação (essa sim divina, como defendem vários autores). O perigo maior está no entanto, segundo afirma, naqueles que transfiguram essa irrealidade em realidade, crendo nela. Esses, crédulos, e apenas esses, são “gente impia” que deve “Rasga[r] [s]eus versos”, pois são foco de uma transitoriedade que aparenta ser eterna, quando na melhor das hipóteses é apenas longeva.
                Usando termos e conceitos desenvolvidos por Martin Buber[6], permito-me afirmar que Bocage chega à maturidade poética, filosófica e religiosa, ao perceber que a centração no Eu conduz à esterilidade narcísica e especular, pois transforma o mundo e os outros num Isso, ou seja, em meros objectos. Só a percepção do Tu divino (como elemento com quem se deve estabelecer uma relação dinâmica e indissolúvel) torna possível o nascimento da dignidade do Outro. Ao afirmar “Já Bocage não sou”, assinala a quem saiba lê-lo uma mudança de paradigma existencial e vivencial que tem como corolário a crença “na eternidade”. O Eu dominante e autotélico apaga-se para se transformar em Eu-Tu dialogante. Assim se compreende o carácter luminoso e redentor atribuído à dor. Essa conversão (ou metanóia) só pôde ocorrer porque, antes, perante “o triste abatimento / Em que [o] faz jazer [sua] desgraça”, soube “fech[ar] os olhos, adorando / Os castigos do Céu como favores.”



[1] Os poemas que vão citados constam da antologia Bocage – Sonetos, organizada por Vitorino Nemésio para a Livraria Clássica Editora, em 1978 (6ª edição).
[2] Guerra Junqueiro (1972) – Obras […] (Poesia). Porto, Lello & Irmão Editores: 917.
[3] Guerra Junqueiro (1921) – Prosas Dispersas. Porto, Livraria Chardron: 13.
[4] Santo António foi chamado pelos seus contemporâneos “o martelo dos hereges”.
[5] Estas considerações vão ao encontro de outro autor que foi no mesmo sentido: Raul Brandão, sobretudo n’ O Padre.
[6] Vd. Martin Buber ([2014]) – Eu e Tu. Prior Velho, Paulinas Editora.


Publicado em:
http://www.snpcultura.org/a_conversao_de_bocage.html
(16/11/2016)

APRESENTAÇÃO DO LIVRO 

“A VIDE E O SEU CASTELO”, DE RUY VENTURA


"A Vide e o seu Castelo" de Ruy Ventura foi apresentado no passado sábado, dia 24 de Setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. O livro aborda a toponímia, história e heráldica de Castelo de Vide, que inclui também referências a Marvão e à Ammaia. O lançamento é da responsabilidade do Grupo de Amigos de Castelo de Vide e contou com o apoio das Câmaras de Castelo de Vide e Marvão, bem como das Juntas de Freguesia.
A iniciativa esteve integrada nas Jornadas Europeias do Património, subordinadas ao tema Comunidades e Culturas, que decorreu entre os dias 23 e 25 deste mês. As Jornadas tiveram como objetivo envolver as comunidades na valorização da cultura.
O autor do livro é natural de Portalegre, tem 43 anos e desde a década de 90 que se dedica à atividade literária e investigação nas áreas de património imaterial e material.