DETERGENTE
lido por Victor Oliveira Mateus


Com Detergente, obra que tem como epígrafes um verso de Cesário Verde e outro de Ruy Belo, Ruy Ventura instala-se deliberadamente numa zona de interseção dos géneros literários: estamos perante uma dramaturgia onde duas personagens vão dialogando? Perante dois monólogos justapostos onde duas vozes poéticas se fazem ouvir, embora tangenciando-se aqui e ali? Ou estamos perante um livro de poesia onde o dialógico ocorre em socorro de uma mensagem de cariz transcendentalista e de uma acentuada função poética? Pessoalmente, inclino-me para a última interpretação, daí ter lido (com muito agrado) esta obra à luz da poética de alguns dos grandes dramaturgos franceses da primeira metade do século passado, como por exemplo Paul Claudel e Henry de Montherlant, bem como da lucidez desesperada de um Pierre Drieu la Rochelle.
A obra inicia-se com duas personagens (figuras? vozes poéticas?) que se fazem ouvir junto a um edifício em construção (a simbólica do livro é algo a considerar!), enquanto ao fundo se ouve o Quatuor pour la Fin du Temps de Olivier Messien. Também não é acidental a escolha da música de Messiaen: um dos maiores compositores do século XX, compositor esse cuja profundidade religiosa atravessou toda a sua vida e toda a sua obra. […]



NATAL INCÓMODO

         Em minha casa, o período natalício inaugura-se com uma ida ao campo, onde a família apanha musgos e ramos de variada vegetação para com eles montar e ornamentar o presépio. Se ainda é fácil encontrar a indispensável gilbardeira, com as suas bagas vermelhas nascidas de folhas duras e espinhosas, vai sendo cada vez mais difícil encher o balde com o tapete que há-de fingir um chão verde e fresco. Andamos todos a pagar os desmandos da ignorância e da ambição desmedida e a Natureza vai dando sinais muito preocupantes... Neste ano, quando chegou a altura de colocar a imagem do Menino no lugar que lhe pertence, houve uma saudável disputa entre as crianças. Quem teria a honra de colocar "O mais importante" no seu lugar? Comoveu-me a solução encontrada pelos miúdos: cada um pegou em seu braço e assim desceu ao centro a imagem mais pequena, mostrando que o ínfimo pode bem ser expressão do maior, daquele que mais importa.
         Terminada a “obra de arte” efémera, divulguei pelos amigos e conhecidos o resultado, não resistindo ao exibicionismo ingénuo de que todos vamos sendo mais ou menos vítimas incautas. Horas depois, ao abrir a minha caixa de correio, estavam lá depositadas as palavras de um (verdadeiro) amigo. Sem vocativo nem despedida, percebi que tinham sido escritas após a observação das fotografias do nosso presépio. Não seria curial trazê-las para o domínio público, mas interessa-me registar que elas me recordaram, picando-me, como se fossem um pampilho dos campinos ribatejanos, o que mais importa no Natal: o ínfimo que alcança a suprema importância.
         Época de alegrias, de felicidade - mas também de euforias fabricadas, manipuladas pelo consumo -, o Natal leva-nos, frequentemente, ao esquecimento daqueles que assim não sentem, travando diariamente uma terrível luta com a angústia, com o vazio ou com o negrume, mal conseguindo esboçar um sorriso perante as agruras da doença, do desemprego ou de uma dignidade perdida, tentando arranjar uma réstia de ânimo para se levantarem da cama sabendo-se alvo de injúrias e de incompreensões, querendo elevar o coração apesar de se verem sem tecto, sem alimentos dignos, sem uma companhia ao lado ou à distância, sem os seus entes queridos. Mesmo quando os lembramos nesta época de preparação para a festa do nascimento de Jesus Cristo, tantas vezes os olhamos como grãos de pó que é importante sacudir da lembrança, não vá ela ficar toldada (menos “alegre”) pelas suas nuvens incómodas. E, no entanto, foi sobretudo para estes nossos companheiros de existência que a encarnação do Divino Infante aconteceu e continua a acontecer, enquanto recordação rediviva e actuante. Bem sei que esse acontecimento milenar pouco ou nada interessa a uma sociedade onde o dinheiro é deus e rei, mas a verdade não tem outro conteúdo nem a festividade outro sentido, mesmo que o alheamento das luzes comerciais e financeiras nos tentem virar o olhar para lugares distintos e sentimentos menos nobres. Esquecer o sentido do Natal é esquecer tudo. Não há outro caminho. Ou somos incomodados por ele ou não vale a pena comemorá-lo.
         Nestes dias que nos conduzem à tão desejada jornada, teríamos certamente vontade de ser um pouco subversivos e, de uma vez por todas, substituirmos a correria pelas lojas por uma correria por muitos daqueles que precisam da nossa presença ou, pelo menos, da nossa palavra. De boas intenções está cheio o mundo inferior, pensarão... Muitos temos compromissos familiares ou sociais e facilmente, nestas semanas e naquela noite venturosa, esquecemos os que estão sós, sem ânimo ou com a sua dignidade erodida. Não é fácil irmos ter com eles ou trazê-los à nossa presença. Não é contudo difícil, no momento certo, marcarmos o nosso companheirismo com uma palavra oportuna ou, até, com um gesto ou com uma mensagem que vá além daquelas que mandamos por atacado a todos os nossos "amigos" que, tantas vezes, nem conhecidos são na verdadeira acepção do vocábulo. Se calhar será esse o momento mais alegre ou mais feliz da noite. O momento em que o Natal nos incomodou. Creio que sim. Afinal o Paráclito é aquele que nos espicaça e consola... (Espero, sinceramente, não ser como frei Tomás...)

RUY VENTURA


PROFANAÇÃO, APENAS PROFANAÇÃO
(OU TALVEZ O "MISTÉRIO DA INIQUIDADE")

Ruy Ventura


         Para entendermos com ponderação o que se tem passado no Panteão Nacional de Santa Engrácia, bem como noutros lugares altos do nosso país, onde a memória de Portugal deveria ser salvaguardada, temos de recordar um conceito que vai desaparecendo das nossas mentes, ainda que vá permanecendo nos dicionários: profanação. Para que seja possível tal exercício mental, temos de conceber que no nosso mundo há (ou deveria haver) espaços sagrados, objectos consagrados, ritos sacros que fazem com que o tempo não seja todo igual, com que haja locais distintos, com que os utensílios não tenham todos o mesmo fim quotidiano e descartável e haja alguns destinados a fins mais altos. Quem estabelece a distinção? A comunidade, seja ela de crentes, de militantes ou de compatriotas. O que vem sucedendo neste nosso tempo perigosamente instável e iníquo é sintoma da erosão desta separação entre o sagrado e o profano, para usar o velho título de uma grande antropóloga, em grande parte promovida pelos nossos semelhantes que têm no lucro o seu único objecto de veneração.
         Mesmo entre aqueles que deveriam exercer a salvaguarda dessa distinção (políticos, clérigos, artistas, líderes comunitários…), tornou-se corrente aceitar a profanação como algo normal, concebível e até aceitável. No fundo, quem assim age já não consegue sentir a diferença. Para quem assim pensa (se pensa), já não há sagrado nem profano. Tudo tem o mesmo valor - e esse valor reduz-se frequentemente à valia que lhe confere a utilidade e/ou ao rendimento que pode gerar. Para quem assim pensa (se pensa), qualquer espaço, qualquer objecto ou qualquer rito só vale a pena se gerar dinheiro (se "fomentar a economia", dizem) ou se produzir espectáculo com adesão massiva de gente que possa pagar ("fomentando a economia", não se cansam de repetir) ou possa reproduzir comportamentos desejáveis, sobretudo ao nível do consumo ou do conformismo político, social e cultural. A isso se chama, todavia, alheamento ou apoucamento da dignidade da pessoa. Mas quem se lembra de tal afirmar?
         Neste quadro, não devemos estranhar que a direcção de um lugar onde se guarda a memória dos maiores de um país ache normal que naquele monumento se dêem jantares bem pagos, onde os comensais se banquetearão alarvemente, sem qualquer espécie de respeito por tudo quanto os rodeia. Não devemos estranhar outros comportamentos semelhantes que, de maneira idêntica ou falsamente distinta, se vão e irão reproduzindo por aqui e por ali, perante o sorriso aparvalhado ou mefistofélico de alguns políticos, clérigos, empresários, académicos, artistas, curadores, programadores, animadores ou simples espectadores. "Ninguém sabe que coisa quer. / Ninguém conhece que alma tem, / Nem o que é mal nem o que é bem", escreveu Pessoa. Num mundo assim, coisa boa não deveremos esperar. E, mesmo que nos indignemos, devemos evitar o espanto, porque fenómenos como os jantares no Panteão são apenas pequenos sintomas de um mundo às avessas, onde vamos assistindo, tantas vezes perdidos, ao "mistério da iniquidade".
         Tenhamos todavia a coragem de ser novos beneditinos, resguardando e salvaguardando o que for possível salvar deste mundo sem norte. Valerá decerto a pena, ainda que tal nos traga o veneno alheio, nas diversas espécies que abundam por aí.


PS - Será bom alguém lembrar às distraídas sumidades da gerência do país que Portugal tem vários panteões: Santa Cruz de Coimbra, Batalha, Jerónimos (claustro e igreja) e S. Vicente de Fora. Não vá o demo lembrar-se de lá servir jantaradas um dia destes... e termos de assistir, envergonhados, à triste de cena de umas centenas de tipos manducando, quem sabe, enguias fritas ou sarrabulho ao lado dos túmulos de Fernando Pessoa, de Alexandre Herculano ou de outra figura grada da nossa História. Quando os gerentes da pátria têm como única bitola de valor o lucro e a utilidade, nunca se sabe...


Em defesa do património religioso 
– agir é preciso... E depressa!

Foi há um par de anos. Entrei na loja de uns missionários em Fátima, uma das maiores do centro da localidade. Falando com um familiar de uma peça de arte sacra antiga a precisar de conservação competente (hoje felizmente bem restaurada, com critérios éticos e científicos), fui prontamente interpelado pela empregada do estabelecimento. Solícita, sem grande noção das conveniências, interrompeu a conversa e atirou, de arrancada: “Se quiser, temos um senhor muito jeitoso que a põe como nova...”
Percebi que a senhora me confundira com um sacerdote. Fiquei estupefacto, respondi de forma evasiva, mas fiquei a pensar: “Quem resiste a estas abordagens se não tiver ética, educação, juízo, pudor ou um bispo com mão de ferro e sabedoria de um diplomata? Quem?”
Multiplicam-se pelo nosso país casos de raspagem e repinte de esculturas e retábulos das nossas paróquias, de vandalismo aplicado a telas, tábuas e pinturas murais centenárias. São peças importantes do património espiritual dos crentes e, também, elementos inalienáveis da nossa memória coletiva. São obras de arte e criações inspiradas e, como tal, merecem o mais escrupuloso respeito. Outra coisa não diz, aliás, o Direito Canónico. A situação a que chegámos é todavia muito grave, mesmo que vejamos alguns exemplos de boas práticas, pontuais e minoritários, que não escondem a “selva” que por aí vai, do Algarve ao Alto Minho, com exemplos recentes de perigoso retrocesso.
Enquanto tivermos como fiéis depositários do património religioso pessoas que, à parte a sua competência pastoral, revelam (como autarcas deslumbrados ou construtores civis siderados) uma ânsia incontrolável, querendo “deixar obra” construída, esculpida ou pintada a todo o custo, continuaremos a assistir atónitos à destruição do nosso património artístico e espiritual. Enquanto se manifestar um insaciável voluntarismo que olha para as obras de arte como objectos utilitários sem valor intrínseco e não como manifestações materiais, visíveis, de Deus connosco, continuaremos a testemunhar um vandalismo cujos agentes, ainda por cima, se apresentam com ares de esteticistas ou maquilhadoras de bairro pobre. Enquanto quem de direito não agir com rapidez, ciência e firmeza, parando os desmandos que violam as leis do País e o Código do Direito Canónico, ou deixando mesmo de colaborar com eles, continuaremos a multiplicar os lamentos por um património perdido, quiçá para sempre.
Não será tempo de todos nós – investigadores, conservadores-restauradores, museólogos, amantes da arte, sacerdotes com sabedoria, fiéis com ética e estética, simples amantes do património – fazermos algo além dos simples comentários no “feicebuque”? Se o não fizermos, talvez seja tarde. E não valerá a pena tecermos mais tarde um rol de lamentações.

Artigo publicado nos jornais "Diário do Alentejo" (Beja), "Alto Alentejo" (Portalegre) e "Raio de Luz" (Sesimbra).
DOS LEITORES:

CASÉ LONTRA MARQUES


"Sua poesia me movimenta de muitos modos [...] No caso específico do volume de agora ["Detergente"], há nele uma densidade suculenta - a leitura todo o tempo se depara com construções inquietas, formal e semanticamente. O confronto com a dor, com a catástrofe até. A força arrancada das entranhas da adversidade... [...] o seu “Detergente” como que me pegou pelo pescoço. E me agitou - eletrocutando a espinha. Que poesia a sua [...]!

[...] a poesia tem essa voltagem capaz não digo de amparar, mas de impulsionar. Inclusive impulsionar em direção de outras perturbações..."

(Comunicação particular, a 18/10/2017.)
DOS LEITORES:

MARTA LÓPEZ VILAR


"Detergente", del poeta portugués Ruy Ventura, es uno de los mejores libros de poesía que he leído este año. Escritura que es una placa tectónica que remueve el silencio, la parte germinal de lo que estamos hechos. Aquí os dejo unos breves fragmentos:
"JUAN:
Quien escribe encuentra el organismo: la inestabilidad de la materia -color y polvo, memoria y gangrena-, un grupo de células que el fuego no destruye, que la tierra no pudre, ni tan siquiera cuando la ceniza nos cubre y va blanqueando los tejidos. ¿Vivir es dudar? [...]"
"RAÚL:
Limpio los árboles de todos los brotes. Piso los gusanos que devoran las hojas, aunque la tinta y la sangre tengan el mismo color. La clorofila no necesita mis ojos. Y, sin embargo, ensucio los dedos, dejo crecer dentro de mí toda la vegetación que un día me matará".

(in Facebook, a 1/9/2017).


António Carlos Cortez

"Ruy Ventura: há uma luz ao fundo?"
Jornal de Letras, Artes e Ideias
n.º 1224, de 30 de Agosto a 12 de Setembro de 2017
pp. 16 e 17




UM HOMEM BOM

por Ruy Ventura
(in "Raio de Luz", de 27/7/2017)

         Ao longo dos últimos vinte anos, Sesimbra foi um município afortunado. Nem todos os concelhos se podem gabar de ter tido à frente dos seus destinos dois homens bons, como Amadeu Penim e Augusto Pólvora. Não me refiro, como é óbvio, à bondade destes cidadãos e homens políticos exemplares que me habituei a admirar, mesmo discordando dalgumas das suas opções políticas, estratégicas ou pessoais. Tendo embora notícia das suas qualidades éticas e morais, nestes anos que levo de munícipe e, agora, amigo da digna Piscosa, não me sinto autorizado a tecer ditirambos a essa qualidade que, segundo rezam os testemunhos mais fidedignos, sempre lhes assistiu enquanto foram edis da capital da Arrábida e do seu território. Também não me refiro, como é óbvio, à bitola económica, fundiária ou profissional que, na Idade Média, seleccionava aqueles que podiam votar e ser votados nos órgãos municipais. Felizmente vivemos noutros tempos, nos quais a democracia, ainda que muito imperfeita, nos garante outros critérios na escolha de quem nos governa e na dispensa daqueles que nos vão desgovernando.
         Recentemente retirado do número dos vivos, Augusto Pólvora era para mim – e ficará sendo – um homem bom do seu concelho e da sua região. Posso afirmar, sem rebuço, que nisso foi um bom sucessor de Amadeu Penim, garantindo a continuidade de uma política autárquica que, na minha modesta opinião distante, soube aliar proximidade e empatia com o necessário rigor na gestão da causa pública, sendo simultaneamente humilde e estratega, atenta e proactiva. Em qualquer das personalidades, não creio que o seu legado possa ser reivindicado seja por que força política for, seja por quem for, sob pena de desrespeito ao trabalho que deixaram como património e como semente. Homens da terra, pela terra trabalharam. Tudo o mais foram ferramentas e circunstâncias de somenos, necessárias, mas secundaríssimas.
         Quando me ponho a recordar as memórias que guardo e guardarei do arquitecto Augusto Pólvora, só consigo lembrar alguém que amava, com todas as suas forças, a terra onde nascera. Filho de gente simples e resistente, daquela que o tempo longo foi ensinando a enfrentar a terra e, sobretudo, os abismos oceânicos, sentia-se nele um entusiasmo pelas coisas de Sesimbra que não era fácil encontrar noutros que o acompanhavam nas lides autárquicas. Segundo me contaram na sede do distrito, essa sua força conseguia impor-se nas reuniões decisivas, levando não só a água ao seu moinho, mas gerando sinergias que conseguiam dar lugar a uma visão mais aberta e integrada do território arrábido, a qual não dispensava a afirmação da importância da Península no todo regional e nacional. Nem sempre conseguiu fazer vingar a sua leitura – a democracia assim funciona –, mas pelo menos deixou-nos uma maneira de ver e de actuar que ninguém pode recusar, como testemunho recebido na corrida de estafetas que é a nossa existência.
         Não gosto daquele velho hábito português que limpa a memória deixada pelos defuntos das suas impurezas como quem lava um cadáver, antes de enterrá-lo. Se queres ser bom, morre… Não. Discordei bastas vezes das decisões das vereações presididas por Augusto Pólvora e nunca tal escondi, pelo menos durante os seis anos em que fui eleitor no município sesimbrense. Tal olhar não tolda no entanto a admiração com que fui lendo, ao longo do tempo, a sua personalidade humana e política. Além de tudo, amava a sua terra. Tive provas disso, embora modestas. Não foram poucas as vezes em que, pessoalmente, por escrito ou por gestos, manifestou o seu apreço pelo meu trabalho de investigador da sacralidade da Arrábida e das tradições religiosas sesimbrenses. Isso tenho a agradecer-lhe. Desses pequenos gestos recebi ânimo para continuar, reduzindo à sua irrelevância a atitude bem diferente de outros que poderiam ter agido com outra inteligência e abertura, nem que fosse por cálculo diplomático.

         Lembro, nomeadamente, o seu olhar entusiasmado na memorável sessão de 24/7/2014 na igreja da Misericórdia de Sesimbra, perante a voz magnífica de Teresa Salgueiro, perante a força da declamação de Maria Barroso e, também, perante as pobres palavras deste que vos escreve, enquanto defendia – aos pés do Senhor Jesus das Chagas – que Sesimbra é de pleno direito a capital da Arrábida. Outros fingiam ou cochichavam. Ele não. Bem sei que palavras me dirigiu no final do evento. Não as reproduzo. Guardá-las-ei no meu “arquivo” pessoal. Naquele dia, contudo, percebi melhor as razões que levaram o grande filósofo e grande sesimbrense Agostinho da Silva a defender que a política deve ser uma forma de santidade ou uma via a caminho da santificação. Basta que os representantes do povo, desde as juntas à suprema magistratura da nação, exerçam da melhor forma a sua bondade, tornando-se homens bons, inteiramente ao serviço do seu povo.


A OPINIÃO DE UM LEITOR: JOAQUIM MATA FERNANDES

Acabei de ler este interessante ensaio que me deu novas pistas para um melhor entendimento da poesia de Sebastião da Gama enquanto construtor de beleza, instrumento que se deixa vibrar por Deus nesse ambiente/ espaço sagrado que é a Arrábida. O seu autor, Ruy Ventura, é colega professor numa escola de Setúbal. Fico-lhe grato por esta abordagem que propõe uma leitura do poeta livre dos obstáculos biográficos e topográficos que se têm sobreposto, na crítica e na lecionação, à "carga simbólica" da sua poesia.

Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1603782299653645&set=a.451516101546943.103925.100000656713391&type=3&theater
(19/7/2017)


Acaba de ser editado no número 7 da Fátima XXI - Revista Cultural do Santuário de Fátima. Nele assino um ensaio intitulado "No coração da árvore", incluído no dossiê sobre o Imaculado Coração de Maria, coordenado pelo poeta, teólogo e ensaísta José Rui Teixeira.