POESIA PORTUGUESA EM MADRID

No próximo dia 15 (quarta-feira), pelas 19h30, na prestigiada sala "Corral de Comedias", em Alcalá de Henares (Madrid), vai decorrer a sessão LA VOZ MÁS CERCANA: PORTUGAL, dedicada integralmente à poesia portuguesa contemporânea. A dramaturgia será de Aitana Sar, Clara Santafé e Ines Sánchez, acompanhada ao piano por Francisco Recuero e com voz de Verónica Aranda. Serão lidos poemas de Albano Martins, Catarina Nunes de Almeida, Daniel Faria, Graça Pires, José Luís Peixoto, Maria Teresa Horta, Sophia de Mello Breyner Andersen, Victor Oliveira Mateus e Ruy Ventura.






DETERGENTE, de Ruy Ventura
(excertos traduzidos para catalão por Joan Navarro)



E, no entanto, há luz no meio do entulho: livros, colocados numa mão incerta cuja humidade permite o nascimento de fungos e, mais tarde, de pequenas plantas. (Haverá por ali um grão de mostarda ou outra semente cuja árvore um dia reconheceremos?) Livros e tecidos impuros, com húmus e estrume no meio da batalha.

I, malgrat tot, hi ha llum enmig dels enderrocs: llibres col·locats en una mà vacil·lant la humitat de la qual permet el naixement de fongs i, més tard, de petites plantes. (¿Hi haurà per allà un gra de mostassa o una altra llavor l’arbre de la qual un dia reconeixerem?) Llibres i teixits impurs, amb humus i fems enmig de la batalla.



Não há paisagem além do quadro ou da fotografia, escrevi como se estivesse na caverna. No meio do lixo, talvez recolha imagens sem movimento. Terei assim alguma consolação, pois nada mais serei do que um silo abandonado, onde se lançam cacos e restos de comida.

No hi ha paisatge enllà del quadre o de la fotografia, vaig escriure com si fos a la caverna. Enmig de les escombraries, tal vegada recolliré imatges sense moviment. Tindré així alguna consolació, ja que no seré res més que una sitja abandonada, on s’hi llencen testos i restes de menjar.



E se as palavras, reduzidas a pele e osso, fizerem parte do entulho que nos sufoca no fundo da vala?
I si les paraules, reduïdes a pell i os, fan part de la runa que ens sufoca al fons de la fossa?



Quem abandonou esta casa? Quem habita hoje nesta casa? A foz não existe sem presença. Deixa na pedra uma inscrição de luto, que a boca não poderá beber.
¿Qui abandonà aquesta casa? ¿Qui viu avui en aquesta casa? L’embocadura no existeix sense presència. Deixa en la pedra una inscripció de dol, que la boca no podrà beure.

MARIA GUARDAVA TUDO NO SEU CORAÇÃO
Dos Evangelhos a uma Espiritualidade Cordial

conferência 
na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
na Cova da Iria

11/12/2016


DETERGENTE

por José do Carmo Francisco
http://transportesentimental.blogs.sapo.pt/detergente-de-ruy-ventura-342101 (29/1/2017)


Este é um livro especial, insólito e diferente na bibliografia de Ruy Ventura (n.1973) cujo primeiro livro («Arquitectura do Silêncio») recebeu em 1999 o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. A Poesia é (todos o sabemos) uma arte de fundo pessoal. O poema escreve o poeta; o poeta escreve-se no poema. Mas o poeta não é um organismo sentimental sem raízes, sem passado, sem biografia. Tal como neste livro, no qual surge um diálogo entre dois homens (João e Raul) sob um fundo musical de Olivier Messiaen. Trata-se de um tempo que chega ao fim, um mundo desolado, uma cidade deserta. Raul começa o diálogo na página 7: «Nascem no mesmo dia a força e a pobreza. A casa está cheia de entulho e as ruas não permitem a circulação. Vivemos entre escombros, já muitos o disseram. Por isso páro. Vivo? Sobrevivo? Existimos.» João, por sua vez, faz um inventário pessimista: «Há quem escreva versos mas dispense a escassez, o trabalho, a descoberta. Há quem vá filosofando mas rejeite o amor e a sabedoria. Há quem pinte, molde, filme, dance e represente mas feche os olhos às imagens que nos desafiam, como lava no dia de juízo.» É neste «caldo cultural» que Raul procura um futuro: «Temos de sorrir (dizem). Temos de suportar, ainda que a dissolução nos transforme em vermes, em roedores que voam ou rastejam.» João, por sua vez, proclama a força da escrita: Primeiro na página 9: «Entre a superfície da escrita e a ocultação da morte – não há negrume que nos apague.» Depois na página 10: «Quem escreve encontra o organismo: a instabilidade da matéria – cor e pó, memória e gangrena – um grupo de células que o fogo não destrói, que a terra não apodrece» Por fim na página 23: «Esquecendo, talvez consiga escrever. Excesso ou amnésia, o texto retrocede.» É nesta oscilação entre sangue pisado e estilo que surge o detergente que dá o título ao livro: «A memória descritiva assegura-nos de que a estátua (ou medalhão) é de bronze, de pedra ou cera d´abelhas. Mas no fundo temos a certeza de que o miolo da efígie não passa de sabão ou detergente.»

Sob a forma de peça de teatro, no fundo é de poesia e sua temperatura que trata este livro, Vejam-se as citações: «Odeio este tempo detergente» (Ruy Belo), «O obstáculo ou depura ou torna-nos perversos» (Cesário Verde) E a dedicatória: Para Levi Condinho, Nuno Matos Duarte e Rui Almeida. Em memória de Filipa Barata e Carlos Garcia de Castro. 

(Editora: Licorne, Capa e Foto no interior: Nuno Matos Duarte)-


Um novo livro:

DETERGENTE


Este novo livro de Ruy Ventura - poema ou diálogo entre duas figuras (João, que transita do "Contramina", e Raul, que poderia ser Brandão) - parte de duas frases. Uma é de Ruy Belo - "Odeio este meu tempo detergente" - e a outra é de Cesário Verde - "O obstáculo ou depura ou torna-nos perversos". É dedicado a Nuno Matos Duarte, Rui Almeida e Levi Condinho - e presta homenagem a Carlos Garcia de Castro e Filipa Barata.
O texto lê-se ou ouve-se ao som de Messiaen - "Quatuor pour la Fin du Temps" - num edifício em meia construção, mas já abandonado. Entre Raul, que afirma: "Nascem no mesmo dia a força e a pobreza. [...] Perco-me e assim quebro, parto, a madeira da vivenda que deixou de ser habitação." E João, que responde: "Meu peso não deixará vestígios. Peregrino, suspendo os passos. Deixo aberto a mina de água, sabendo de antemão que a fonte secou ou escolheu outra nascente."
Como os poemas e os livros só valem a pena se forem lidos - e dado que só daqui por algum tempo a publicação estará disponível nalgum circuito livreiro - sugere-se a encomenda de um dos 50 exemplares que, na mão do autor, estão disponíveis. Basta o envio de um mail para ventura.1973@gmail.com e o assunto será tratado. 
Este poema, agora editado pela Licorne, de Évora, e valorizado com duas fotos inéditas de Nuno Matos Duarte, será lançado em data e circunstâncias ainda a definir e anunciar. 



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«A Igreja santifica-se imitando Maria», lembra o poeta Ruy Ventura

A primeira conferência do sétimo ciclo de conferências do Centenário teve lugar esta tarde na Basílica de Nossa do Rosário de Fátima


A Basílica de Nossa do Rosário de Fátima acolheu esta tarde a primeira conferência do sétimo ciclo de conferências do Centenário centrado no tema do ano pastoral "O meu imaculado coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus". O poeta Ruy Ventura foi o orador de uma comunicação intitulada “«Maria guardava tudo no seu coração» - Da devoção a Maria a uma espiritualidade cordial”.
O poeta apresentou-se como peregrino, «num caminho que se transforma em encontro» enquanto «aprendiz nesta escola de fé».
«Maria é uma mulher que se perturba e interroga», e é caracterizada por três ações: «atenção, salvaguarda, e discernimento».
Ruy Ventura referiu-se a Maria como a «mais digna representante da humanidade, pelo seu coração puro, que além de ver Deus acima de todas as coisas sabe ouvi-lo e difundi-lo». Também os pastorinhos de Fátima, em 1916, tinham os seus corações «atentos» à mensagem que chegou do «altíssimo».
«A Igreja santifica-se imitando Maria», reiterou o poeta, que cita a Irmã Lúcia para dizer que «Todos somos peregrinos, quer queiramos quer não».
«O coração de Maria será o nosso refúgio», concluiu Ruy Ventura na primeira conferência do sétimo ciclo de conferências.
Ruy Ventura é oriundo da região da Serra de São Mamede no Alentejo. Licenciado em Línguas e mestre em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e desde 1995 docente, dividindo a sua atividade entre o 2º ciclo do ensino básico e o ensino superior. Iniciou a sua atividade literária na primeira metade dos anos 90. Escritor premiado, editou poemas e ensaios em variadíssimas publicações periódicas portuguesas, brasileiras, espanholas e norte-americanas, tendo assinado prefácios ou posfácios de algumas obras literárias editadas em Portugal e no Brasil. Presentemente, dirige com Nuno Matos Duarte a revista ibero-americana de cultura Devir.
A Basílica de Nossa Senhora do Rosário vai acolher no próximo domingo cinco conferências agendadas até abril de 2017, completando desta forma o ciclo de conferências que marcou o septenário de celebração do Centenário das Aparições na Cova da Iria.
A II Conferência vai ter lugar na Basílica de Nossa Senhora do rosário a 8 de janeiro de 2017 com o título «Mãe da Igreja, rogai por nós». A intercessão maternal da Virgem Maria, por Maria do Céu Patrão Neves. O segundo concerto dos Fragmentos Musicais, com o título «Recolhimento e Reflexão», pelo Coro da Academia de Música de Viana do Castelo. Estas iniciativas tem entrada livre.

(Notícia redigida pelos serviços do Santuário de Fátima, disponível aqui.)


Um excerto da conferência que, em 2017, será publicada pelo Santuário de Fátima:

"É certo que, em 2016, se escolheu como palavra do ano a pós-verdade – que se afigura como sinónimo da mentira (de que é pai, como sabemos, o Diabo (Jo 8, 44)). Perante esse inquietante sinal do nosso tempo, somado a tantos outros que vão surgindo um pouco por todo o lado, decisivo se torna afirmarmos a Fé e a Esperança que nos vão conduzindo ao Amor. Parece-me que o Coração Imaculado – devolvido à “língua comum”, como propôs o padre Tolentino Mendonça – é uma boa metonímia do motor que nos purifica, nos move e nos leva ao cume aonde queremos e devemos chegar. Esse coração está presente em tudo quanto é mais importante: na memória que é recordação (ou saber de cor, pelo coração); na concórdia (que é paz sincera e interior); e, sobretudo, na Misericórdia, um dos mais eloquentes nomes de Deus, como lembrou o Papa Francisco ao longo do Jubileu Extraordinário recentemente concluído."


CONFERÊNCIA EM FÁTIMA, NO PRÓXIMO DOMINGO


Não sei se este eterno aprendiz será a melhor chave para abrir o VII Ciclo de Conferências comemorativo do Centenário das Aparições de Fátima, mas conto com os ouvintes de boa-vontade que, no próximo domingo, dia 11 de Dezembro, pelas 16 horas, quiserem escutar as minhas palavras. Será na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Cova da Iria - e tentarei desvendar (a partir dos primeiros capítulos do Evangelho segundo São Lucas) um caminho espiritual que passa pela atenção, pela salvaguarda e pelo discernimento, contra a amnésia, a auto-suficiência, a indiferença, o medo e a morte, lembrando que o coração, a recordação, a concórdia e a misericórdia são palavras nascidas da mesma raiz.
Mais informações aqui.



Capa e contracapa 
de DETERGENTE
o próximo livro de Ruy Ventura,
a sair brevemente na Licorne, de Évora.
SOBRE CONTRAMINA

Filipa Barata

No panorama de certa poesia portuguesa mais actual, e em especial no da sua geração, a voz de Ruy Ventura quase se assemelha a um oásis no meio do deserto poético de composições sobrecarregadas de imagens urbanas vazias, onde, em muitos casos, as referências culturais ou mesmo literárias são vagas.
Não será esta uma tendência exclusiva da poesia portuguesa, mas a crescente vulgarização da linguagem, onde o banal e o rotineiro tomam ares poéticos, apontando para um vazio pontuado por sensações imprecisas, onde se sente a ausência de um pensamento consentâneo que, porventura, não deve estar ausente desta ou de outras formas de escrita.
É neste contexto que Ruy Ventura nos dá a conhecer o seu último título, Contramina, depois de Arquitectura do Silêncio (2000), Chave de Ignição (2009) e Instrumentos de Sopro (2010), entre outros.



Um livro algo original este Contramina, que se não encontra essa originalidade em cada um dos elementos de per si, que o compõem, encontra-a certamente no modo como combina aquilo que parece ser a sua principal substância (metafísica, espiritual) com a estrutura que o enforma. Trata-se de um texto cuja filiação a um determinado género é difícil, porque, se o teor da sua mensagem é aparentemente poético, a verdade é que a sua forma o aproxima muito mais do género dramático – ou, pelo menos, do que convencionalmente se entende por cada um desses géneros.
Talvez não seja despiciendo que nos demoremos sobre a questão do género textual, em Contramina, já que isto levanta problemas teóricos, que apesar de não serem absolutamente novos, suscitam perguntas que nos permitem reflectir sobre o modo como lemos e classificamos certos textos. Assim, comecemos por colocar algumas perguntas: porque é que podemos considerar Contramina um livro de poesia? O que existe aí de poético? Será que se trata efectivamente de um texto poético ou é o modo como o lemos que é poético? Haverá um modo poético de ler certos textos que os pode transfigurar em poéticos mesmo que a sua mensagem não pretenda, porventura, ser poética?
Esperando poder responder a estas e outras questões em espaço mais oportuno, importa, no entanto, referir que apesar de Contramina aparecer classificado como um livro de poesia, esse é talvez apenas um modo de tornar a sua classificação mais fácil, uma vez que a sua mensagem parece aproximar-se mais do campo da filosofia mística ou de algumas das principais questões que rodeiam o pensamento cristão. Convém notar, aliás, que é talvez na reflexão sobre a palavra, e por extensão a divina, que encontramos um dos núcleos mais profícuos desta escrita. Na interrogação sobre a palavra de Deus e de como ela devém fogo ora purificador, ora transformador alicerça-se a força da linguagem, na qual inevitavelmente entroncam os mistérios sobre a existência humana e, por acréscimo, as questões de índole metafísica e espiritual que Contramina põe em cena. Atentemos, assim, para uma das falas que pertence ao nome de João:

sabemos distinguir a matéria do lugar? que voz se ouve? o pacto ecoa na palavra – e num brilho que a existência resguarda no fogo ou no fingimento. ter colhões, olhar olímpico – dizem – para descobrir (entre a execução e o roubo, entre excrementos e ruídos), sem nome, a gruta, a praia, a serra, o bosque, o prado, a rua, a casa, o largo – e, neles, o reino de Deus. (p. 12)

Cumpre dizer, ainda, que certas marcas do Antigo Testamento, mas também do Novo, estão patentes nesta obra sobretudo ao nível de uma linguagem que procura ser simbólica e, nesse sentido, desfazer-se um pouco de alguns elementos estilísticos. Vejamos, por isso, uma das falas que compete ao nome de Agostinho:

a voz conta o temor da passagem, a audição de um segredo que o confronto regista e multiplica. há pontes e açudes, mas ninguém conhece a largura das águas, a extensão das margens e a humidade da terra que o lodo acolhe e estrutura. verbo ecoando pelo mapa, este grito no parto. pomba voando da mão ao encontro do tiro ou da serpente. (p. 11)

Não estamos, portanto, no campo da literatura e sua retórica, no sentido mais ortodoxo do termo, porque Contramina nos atrai para essa linguagem depurada, que busca libertar-se de conotações demarcadas para ganhar uma natureza de símbolo, na qual a palavra transponha os limites do humano. Daí que uma análise puramente literária do seu conteúdo se torne difícil. Neste sentido, não devemos estranhar que, enquanto objecto literário, o texto de Contramina possa ser menos interessante, pese embora o facto de aparecer classificado, pelo próprio autor, no seu blogue pessoal, como um livro de poesia. No fundo, como vimos anteriormente, estamos perante um texto arredio a categorizações, mas é, provavelmente, nessa pertença a um género que temos de questioná-lo e interpretá-lo e, sobretudo, tentar perceber porque joga tão habilmente com as formas literárias que usa.
Se tivermos em conta o diálogo que se trava entre as várias vozes que, através do índice de figuras, atribuímos a referentes concretos – uma vez que muitos deles dizem respeito a nomes de personagens de ficção, poetas, pintores, filósofos, santos, etc. –, facilmente nos recordamos daquele outro diálogo que mantêm entre si as veladoras n’ O Marinheiro, de Fernando Pessoa. Estamos assim dentro da Contramina como num drama extático, sem movimento, onde a única coisa que pode ser digna dessa designação é a própria voz ou, no caso da obra em apreço, as vozes que se cruzam e que todas juntas procuram, quem sabe, as razões metafísicas e espirituais da sua própria existência. Cada uma dessas vozes, provenientes de áreas de conhecimento diversas, tende a usar um conjunto de vocábulos comuns como se se tratasse de um idioma que se modifica com a intervenção de cada uma dessas vozes. Posto isto, talvez não seja descabido referir que, em Contramina – termo equivalente a mina usado por empréstimo do castelhano na raia alentejana de Portalegre, concelho natal de Ruy Ventura – assistimos à invenção de um idioma, do espírito, das coisas naturais, se quisermos, de onde, porém, não se ausenta o grande espírito criador que modula ao mesmo tempo cada um desses elementos, e dessas palavras, fazendo-as nascer da junção dos sons tal como os minérios que se extraem da mina são resultado químico de vários fenómenos:

sangra-se o poema. não sobrevive se a água não circula pelas veias. setenta por cento do poema é apenas água (salgada), sal da terra. a mina sustenta todas as formas de vida que povoam e elevam a existência. haverá células mortas (o ferro evita a anemia, mas não impede a secura e o apodrecimento das palavras). o corpo permanece. com sangue, sem água, não passará no entanto de um cadáver – múmia conservada como pedra numa redoma de vidro. (p. 55-56).

Vale a pena destacar, ainda, que se Contramina é sinónimo de idioma tem a ligá-lo à imagem de onde provém uma espécie de silêncio inicial no qual tudo o que é visível e invisível conhece a sua origem e o seu fim, fazendo lembrar nisto muito da filosofia trágica patente na obra de Raul Brandão, sobretudo em títulos como Húmus ou El-Rei Junot.

(in Navegações, Porto Alegre, v. 7, n. 1, p. 105-106, jan.-jun. 2014: 105 - 106).


Disponível aqui.